2006-12-21

 

Os cop e os neo cons

No avião, depois de falar com o Paul Krugman, ocorreu-me que os neocons americanos que deram o apoio intelectual necessário à guerra do Iraque, são muito semelhantes ao MFA e COPCONs de Portugal em 1974/1975... Ambos acharam que uma democracia de tipo ocidental poderia facilmente germinar em estados multi-étnicos, fictícios, criados por potencias coloniais. Uma grande diferença é que uns fugiram da guerra, enquanto outros promoveram-na (sem dar a sua pele, está claro). Em última análise, e no final, ambos abandonam a guerra deixando para os nativos a tarefa de desamaranhar os nós históricos que estes não criaram. Pelo menos alguns neocons, apesar de essencialmente passarem a culpa para Bush e Cheney, assumem agora alguma culpa no famoso artigo da Vanity Fair. Será que alguma vez vamos ver algo semelhante por parte do MFA? Alguma responsabilidade por gerações perdidas em Angola, por exemplo? Ou teremos sempre o dogma da glória revolucionária?

Este foi o meu monento reaccionário. Bom dia Lisboa, é bom estar de volta!




 

The "he told you so" dude

On the way to Lisbon last week we sat next to Princeton Economist and NY Times columnist Paul Krugman. I can't tell you how happy we were with that. He was one of the few voices that clearly warned against all the follies that lead the US into the current mess on so many fronts. We of course thanked him for having served as a beacon of sanity when it was not easy at all to do it in the US media---he recently praised others who got it right, so we thought he deserved all the praise for his foresight too.



Krugman came to Lisbon for a reunion with colleagues who were in Portugal 30 years ago learning about Portugal's then new democracy, as well as its fling with the radical left in 1975/1976. He was very curious to see how the country has changed since then. Krugman is one of those guys I many times wish were wrong, but who is unfortunately right most of the time... Check a video of Krugman's appearance on the Colbert Report (don't you wish that Comedy Central had a more competent web interface?).



2006-12-13

 

One for the flight

GothRobot is family of a friend. A Spanish dude who DJ's in London and elsewhere. I am really into his his acidax now. I particularly like Nylon Intense Itch... from his Paris Hilton cannot handle acid EP. Check it all out. Also keep up with his music blog, as he posts plenty of BotDisko from other acts.


GothRobot - Rock 2017 (mp3)

2006-12-12

 

A very nice coisa, this Natal is

So we are about to hop over the pond for Christmas again. This was a very hard and busy year, and so I am looking forward to my Zen retreat in the Algarve right after Christmas in Lisbon. Re-charging is the goal.



Below you can hear a track (É Natal Agora) I made for the first "song" my son Alexandre "wrote". I taped him singing a year ago (when he was 5) and made the track soon after on one of my many hops across the Atlantic. The story of the song is that Alexandre (and all of us) were very sad that my father had just passed away, so I told him to sing a song about going to visit grandma who needed all his love. Naturally, I dedicate this song to the memory of my father.

The Placebo Oracle featuring Alexandre - É Natal Agora (Esta na Hora Mix) (mp3)

P.S. I anti-dedicate, in English, this track to Nuno Galopim, who in one of his columns mocks the Portuguese-Canadian singer Nelly Furtado for speaking Portuguese rather poorly in a dreadful Portuguese soap opera she guest-appeared in. You know? It is only through very hard work that people raised abroad maintain their bi-lingual skills. Nelly Furtado should be praised for speaking the language---and for engaging---in the culture of her parents. After all, it's not like she needed Portuguese (or lame-ass Portuguese soap operas) to be the global superstar she is. Right now, my children are pretty fluent in both languages, but who knows what and how they will speak when they are older? I just hope they are secure enough to tell the Nuno Galopims of the (English or Portuguese speaking) World to bugger off.


Madalena e Alexandre, Summer 2006


 

“policy-relevant” science

Oh, those nasty scientists, still trying to hold on to that old reality thing...

"Under the new process, initial [EPA] reviews will be done by staff scientists and political appointees, who together will produce a synopsis of “policy-relevant” science — which sounds ominously like science tailored to predetermined policy outcomes. The independent scientists, meanwhile, will be frozen out until the very end, when they will be allowed to comment on proposals that will have already generated considerable momentum."

Full editorial: Muzzling Those Pesky Scientists - New York Times

 

Evidência

Mas afinal, meu caro zero, o quê que Kofi Annan disse que estava errado? Concretamente? Todos estes sites de right-wing pundits não respondem no concreto. Apenas lançam os habituais ataques ad hominem. O tal escândalo financeiro que no final envolve mais as corporações de várias nações do que se pensava de início... Darfur e Rwanda, como se Annan tivesse a capacidade de lá enviar homens sem as nações representadas na ONU o quererem. Em última análise, o presidente da ONU só lá está para mediar, envolver, e gerir. Cabe às nações, principalmente as mais desenvolvidas, estabelecer a política da ONU.

Nada do que Annan disse sobre a política Bush está errado. O que está errado, profundamente errado, é a política desta administração. Aqui nos EUA, nada disso está já em causa para a grande maioria dos americanos. O que está em causa é como sair dos buracos em que ele meteu o país.

Houve uma altura em que culpar a ONU era engraçado e dava votos. Agora não. Os Americanos finalmente já sabem que no que diz respeito ao Iraque, por examplo, quem teve toda a razão foram Hans Blix e Kofi Annan, e não Cheney e Bush. Podem tentar sabotar a imagem de Annan à vontade, mas o estado das coisas é evidente---e é esta evidência que passará à história.




2006-12-04

 

Carismáticos e Carnaval

Diz a voz que “o sexo e as drogas permanecerão sempre como meros aperitivos”. Obrigado por me explicar o que o Ted Haggard andava a fazer! Não há dúvida que sem o pentecostalismo não haveriam todas essas “grandes vitórias” das várias guerras Americanas que levam todo o Mundo ocidental por atacado: a guerra às drogas, a guerra aos costumes, a guerra ao terrorismo. Que diabo, sem os pentecostais não haveria guerra contra nós próprios! Que chato seria o Mundo sem um pouco de auto-ódio.


Pena é que os forças seculares não percebam que no fundo todas as organizações que seguem a bitola da política de identidade (race, women, gay-rights) são uma resposta aos ódios criados por pentecostais e afins. Quanto mais esses grupos se auto-determinam em resposta a este ódio, mais o alimentam (que o diga o Karl Rove). A melhor resposta a estes carismáticos do ódio e da guerra a tudo, seria ignorar as etiquetas que eles criam e assumir uma humanidade partilhada por todos. A liberdade individual não vem de um grupo especial a que nos fazemos pertencer, vem simplesmente de sermos humanos.



Por ter visto pessoalmente o ódio e auto-ódio inerente ao tal estase pentecostal de que fala a voz, é que digo que a melhor resposta, a resposta Zen a esses Jesus-freaks, é um carnaval mulato. Mulato em todos sentidos: mistura de raça, sexo, deuses e culturas. Um carnaval em que o extâse junta em vez de individualizar. O Caetano Veloso muito mais eloquentemente o cantará em o herói. Por mim, fico-me com a Macy Gray: share your freak with the rest of us, baby!


O Herói - Caetano Veloso (mp3)
Nasci num lugar que virou favela
cresci num lugar que já era
mas cresci a vera
fiquei gigante, valente, inteligente
por um triz não sou bandido
sempre quis tudo o que desmente esse país
encardido
descobri cedo que o caminho
não era subir num pódio mundial
e virar um rico olímpico e sozinho
mas fomentar aqui o ódio racial
a separação nítida entre as raças
um olho na bíblia, outro na pistola
encher os corações e encher as praças
com meu guevara e minha coca-cola
não quero jogar bola pra esses ratos
já fui mulato, eu sou uma legião de ex mulatos
quero ser negro 100%, americano,
sul-africano, tudo menos o santo
que a brisa do brasil briga e balança
e no entanto, durante a dança
depois do fim do medo e da esperança
depois de arrebanhar o marginal, a puta
o evangélico e o policial
vi que o meu desenho de mim
é tal e qual
o personagem pra quem eu cria que sempre
olharia
com desdém total
mas não é assim comigo.
é como em plena glória espiritual
que digo:
eu sou o homem cordial
que vim para instaurar a democracia racial
eu sou o homem cordial
que vim para afirmar a democracia racial
eu sou o herói
só deus e eu sabemos como dói


 

Bom Dia Bloomington


2006-12-01

 

O verdadeiro punk

Como já aqui referi, gosto muito do fun-punk dos Electric Six, lembra-me os meus queridos Tubes. Mas agora, graças ao YouTube, relembro-me do rasgo que foram os concertos dos Tubes em Alvalade---o primeiro concerto que assisti com 12 ou 13 anos! Realmente, depois deste "White Punks on Dope", o "I buy the drugs" dos Electric Six parece assim um bocado como o pseudo-radicalismo-anti-social do Jorge Palma a fumar em frente a um sinal de "Proibido Fumar"---o que é o acto mais punk, absolutamente chocante e anti-sistema, que alguém pode fazer em Portugal (not!).



É verdade, para quem se lembra do final dos anos setenta, em que chocante era a Nina Hagen na TV a ensinar as meninas a auto-satisfazerem-se, o Jorge Palma a fumar à frente do tal sinal, só mesmo como capa do "deixa-me rir". Continuando em associação livre, lembro-me que de facto no final dos anos setenta e início dos oitenta em Portugal, o sistema era mais a festa do Avante e o anti-sistema era muito mais ir aos concertos do Heróis do Mar com bandeiras de Portugal, o que eu fazia frequentemente....Fica também a velha Nina com o seu white punks on dope:



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