2004-11-30

 

Disseram que eu voltei americanizada...

Pois é. Assim que aterro na Portela noto logo. Não posso esconder. Como todos os americanos que cá trago, noto o cheiro, o fumo, as caras amarelas e os dentes escuros. Noto logo o tabaquinho.

Posso-me defender dizendo que nunca gostei do tabaco à desgarrada, mesmo antes de ir para o outro lado. Que crescendo nos anos 70 me fartei de levar com cinzas na cara em qualquer abraço do meu Pai. Que a Grace Kelly seria sexy mesmo a comer cabeças de peixe com as mãos. Que só novos ricos é que fumam charutos entre pratos e bom vinho nos melhores restaurantes. Não adianta, o consenso é que voltei americanizado...

A bem da verdade, eu até gosto de fumar uma vez por outra. Do que não gosto é da falta de auto-controlo -- nada poderia ser menos sexy (que o diga a Catherine Zeta-Jones). Do que não gosto é de estar num restaurante fantástico com pessoas que fumam entre colheradas a fumegar o meu momento. Por isso a comida é cada vez mais salgada em Portugal -- o pessoal já queimou a lingua! Não gosto de trabalhar no meu gabinete com a fulana ao lado a fumar 3 maços por dia.

O cigarro foi feito para se fumar ao fim do dia, no Ritz com um drink, na sala de fumo do clube, no salão de Poker. Mas não na sala de jantar ou no trabalho ou no carro ou na cara do meu bébé no centro comercial -- na zona de não fumadores ainda por cima! Já que o pessoal não se consegue controlar, nem moderar os seus hábitos, estou absolutamente feliz com as notícias que falam de uma proibição mais forte que se avizinha para Portugal. A liberdade acaba com o excesso. Bem haja ao fim do fumo em locais públicos!



Disseram que eu voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque do pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
E disseram que com as mãos
Estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei certo zum zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandans já não existe mais nenhum
Mas pra cima de mim, pra que tanto veneno
Eu posso lá ficar americanizada
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
Topando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro minhas preferidas
Eu digo mesmo eu te amo, e nunca I love you
Enquanto houver Brasil
Na hora da comida
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu
(Paiva/Peixoto)


Comments:
Era tão bom que cada um pudesse escolher o que quer. Até agora os não-fumadores (em Portugal) não têm tido escolha. É engolirem o fumo dos outros ou não irem a restaurantes. Quanto aos locais de trabalho a situação é mais séria.
Fala-se tanto em remédios para deixar de fumar (não se fala em "olha ! comecei a fumar! ai sim? que bom!)- isto quererá dizer alguma coisa. A mim até ao ar livre o fumo incomoda , mas luto contra isso com a minha maneira defensiva de respiração. Quem me dera de ter dinheiro para abrir um restaurante! Mostrava a todos os que têm estes estabelecimentos que estão altamente errados se proibirem fumar. Até lá só posso dar a minha ajuda nesta divulgação:
http://no-smokezone.planetaclix.pt
 

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