2012-04-14

 

Pode ser chato, mas é lógico

Quando o assunto é a restrição ao fumo dos cigarros, a imprensa Portuguesa perde qualquer sentido de lógica e razão. O caso mais notório é sempre o Miguel Sousa Tavares (MST). Nesta última crónica, não há vestígio de racionalismo; toda a crónica é baseada em crença, sem qualquer validade empírica ou racional. O uso das aspas para desacreditar estudos científicos, sem demonstrar porque tais estudos estão errados, é um dos exemplos de uma escrita totalmente baseada em crença. Por estas e por outras, tento aqui mostrar a lógica simples de se proibir fumar em locais fechados com crianças:

 1) Ambientes com fumo são nocivos para as crianças. A evidência empírica desta asserção está plenamente provada (por exemplo). Quando se implantam proibições de fumar, incluindo a que se fez em Portugal, observa-se, mesmo na população de não-fumadores, redução de mortes, incidencia de asma, etc (fácil procurar informação a esse respeito). Negar a influência nociva de ambientes de fumo é semelhante aos evangélicos que negam a teoria da evolução.

 2) Os adultos não são, por lei, autorizados a atacar fisicamente crianças, incluindo os seus próprios filhos. 

3) Ora, se 1) e 2) são verdadeiros, é necessário proibir o fumo em locais fechados onde haja crianças, incluindo os carros e as casas das pessoas. Pela mesma lógica pela qual não se pode bater a crianças, mesmo dentro dos nossos carros e casas, também não se deve fumar perto de crianças em locais fechados.

Noto que eu detesto a ideia do governo ter direito de ver o que fazemos em casa ou nos nossos carros. Mas se como sociedade aceitamos que as crianças têm que ser protegidas de ataques físicos, mesmo pelos seus pais, mesmo dentro de sua casa, então a lógica e a evidência empírica obrigam a uma proibição do fumo em locais fechados onde haja crianças. Não aceitar isto denota uma contradição lógica, por mais que nos custe. Se o MST está interessado noutros poluentes (escapes de carros, lareiras, grelhadores de sardinhas), então que mostre a evidência científica da sua nocividade. Se isso for estabelecido, por mais do que crença ou opinião, então que avancem as leis para nos proteger dessas ameaças.


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