2017-05-15

 

E agora para uma perspetiva glam: para quê cercas musicais?

Adoro a canção portuguesa que a Luísa Sobral escreveu para o seu irmão e que venceu a Eurovisão---aliás a Luísa Sobral é uma das melhores cantautoras do Mundo neste momento. Mas sinceramente não gostei do discurso de aceitação do Salvador Sobral, nem de algumas entrevistas que ambos mais tarde deram. Desconfio sempre de um artista que diz que faz "musica de qualidade" em comparação com o que os outros fazem; não há necessidade. Tantas músicas excelentes foram feitas para ser dançadas e encenadas mesmo para o fogo de artíficio e até para as macacadas--por falar nisso, acho que a canção Italiana é também uma canção Pop perfeita, inteligente, e sentida mesmo com, e até por causa do macaco. Por exemplo, o grande Cole Porter escreveu quase todas as suas obras primas para peças da Broadway com muitos brilhantes, figurantes, luzes e fogo de artifício. Mas tarde ficaram standards de Jazz com outros como Bille Holiday, Frank Sinatra ou até Caetano Veloso. Alguém duvida que estas músicas têm sentimento? Como se o Glam dos Roxy ou Bowie, e mesmo a Pop maquilhada dos ABBA e do Disco/Funk não fossem imensamente sentidas? Por isso acho que são peneiras desnecessárias estar a dizer mal das músicas de "fogo de artificio." A musica da Luisa Sobral é tão boa que não necessita que se deite abaixo as outras por serem dançadas, encenadas, etc. Até o Miles Davies tocou esse grande mago do fogo artifício que era Michael Jackson (também Caetano o fez), ou Cindy Lauper, essa nada subtil "performer"---e a própria Luisa é conhecida pelas suas fantásticas versões. A autenticidade é apenas uma outra encenação, outra "persona". O Ziggy Stardust a cantar "Song for Bob Dylan" já demonstrou isso há muito tempo. Deixemos as cercas intelectuais para trás, pelo menos na eurovisão. Life is a Cabaret, don't fence me in. #NoFences.


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